sexta-feira, 22 de junho de 2012

União das mães de deficientes mantém Associação em Pinhão



Jean Patrik Soares

    Em Pinhão, as mães de crianças com deficiência cansaram de esperar por ajuda do governo, que nunca chegava, e resolveram correr atrás de seus direitos. Em 2008, foi criada a Associação Pequeno Anjo, uma entidade que auxilia mães de crianças com deficiência na luta por seus direitos. 

    A principal responsável por essa iniciativa é Marisa Do Carmo Krysiaki, presidente e fundadora da associação, ela é mãe do Jackson, 18 anos, que não anda e nem fala, vive como um bebê que necessita de todos os cuidados básicos. Marisa conta que quando ainda era mais jovem nunca tinha conhecido nenhuma pessoa com deficiência e que foi muito difícil aceitar as limitações de seu filho. Segundo ela, todas as mães sofrem com essa realidade, e que, por isso, necessitam de orientação. 

    Marisa relata que várias mães já a procuram desesperadas, sem rumo, pensando até mesmo em abandonar seus filhos. Como a maioria é de baixa renda, elas não têm recursos para cuidar de seus filhos e nem sabem onde procurar esse recurso. “Com essas dificuldades a gente descobriu que temos que nos unir e correr atrás dos nossos direitos,” relata Marisa emocionada. 

       O trabalho da associação é simples, mas significativo, consiste na fabricação e distribuição gratuita de fraldas para as pessoas com deficiência. A associação ainda se responsabiliza por providenciar alimentos, remédios e consulta médica para as crianças, tudo com a ajuda de voluntários e doadores. Mensalmente, são atendidas mais de 20 famílias, 16 mulheres se revezam na confecção das fraldas e outros trabalhos, e 100 sócios contribuem financeiramente. Por meio da associação, as mães criaram o Conselho Municipal da Criança com Deficiência, que debate, fiscaliza e reivindica os seus direitos. A presidente da entidade afirma que o maior desafio já enfrentado foi a obtenção de um espaço para trabalhar, hoje localizado na Casa da Amizade, cedido, em regime de comodato, pela Rotary Club. Ela afirma, ainda, que um dos constantes problemas é a falta de dinheiro, pois não recebem nenhuma verba pública, e sempre precisam adquirir remédios para as crianças. “Existe muito desrespeito aos deficientes nas leis, que só estão no papel, mas não funcionam, como, por exemplo, o Estatuto da Criança e do Adolescente que prevê o fornecimento gratuito de medicamentos, próteses e órteses.” conclui Marisa.


Ouça a entrevista realizada com a coordenadora do projeto

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